quinta-feira, 1 de outubro de 2009

ARTIGO

RESUMO
Avaliação da aprendizagem uma questão a ser repensada. Destina-se a todas as pessoas que trabalham na educação escolar e que se preocupam com a avaliação do ensino-aprendizagem. Tem como objetivo procurar, de maneira clara e consciente, desmistificar a idéia que muitos educadores têm de avaliação. Pois o caminho que a avaliação trilha tem sido difuso, complicado e mal sucedido.
Pensando assim, o meu Artigo na área da Educação, dando ênfase à prática avaliativa nas escolas públicas da Educação Básica de Guanambi, priorizando nas séries iniciais. Com alguns questionamentos para professores, alunos e diretor. A fim de saber se as avaliações elaboradas pelos professores nas séries iniciais da Educação Básica estão contribuindo para a formação de cidadãos capazes de agir para transformar a realidade atual, ou para reproduzir o que a sociedade dominante deseja?
Tendo como palavras chaves:A avaliação,reflexão,repensar,aprendizagem.

INTRODUÇÃO:
A questão da avaliação é tão complexa como de extrema importância no setor educacional. Pesquisas e estudos demonstram que, na maioria das escolas, a avaliação é usada para classificar os alunos em aprovados ou reprovados. Na verdade a escola opera com verificação e não com avaliação da aprendizagem.Observa-se que a verificação tornou-se um instrumento de castigo para o aluno, incluindo atitudes ameaçadoras por parte dos professores, como também produção de questões desvinculadas do cotidiano do discente, gerando medo, ansiedade e vergonha. Muitas vezes os próprios alunos diante de seus “erros” sofrem autopunição.
Todo esse quadro impede que a sala de aula seja um ambiente de alegria e satisfação.
É necessário que a avaliação educacional nas séries iniciais, não se limite desta forma apenas a conceitos. Isso quer dizer que esse processo avaliativo se estende, e, sofre alterações e mudanças qualitativas, partindo assim, para uma avaliação que visa ao crescimento contínuo dos educandos através da participação, levando os mesmos a fazerem parte de um processo histórico da conquista de autopromoção e auto-estima.
Diante do exposto, este trabalho procura aprofundar as análises em relação à avaliação, fundamentando-se nas obras de: Luckesi, Pedro Demo, Jussara Hoffmann, Piaget e Azenha, que retratam a problemática da avaliação. Neste trabalho espera-se poder possibilitar aos profissionais que atuam na área de educação a repensarem a sua prática, na busca de novos caminhos.O presente artigo está organizado em três capítulos iniciais: No primeiro capítulo é abordada a avaliação e sua teoria. O segundo traz reflexões sobre a avaliação na educação básica priorizando as series iniciais. O terceiro capítulo tem como uma temática: Pensando uma proposta de avaliação.Em seguida vem a parte metodológica, onde foi desenvolvida uma pesquisa baseada nas idéias de Kal Marx.A razão pela qual vim realizar este estudo, e posteriormente desenvolver esta pesquisa, é para desmistificar de maneira clara e consciente, a idéia que muitos educadores têm sobre a avaliação. Pois, o caminho que a avaliação trilha tem sido difuso, complicado e mal sucedido.
DESENVOLVIMENTO:
Estudar a avaliação escolar no contexto da realidade brasileira, a partir de uma prática pedagógica, exige um referencial teórico que pode ser encontrado em partes nas obras de notáveis educadores, com formação diversa e que voltam sua atenção para o processo de avaliação educacional.
1.1 - Avaliação segundo Luckesi
Luckesi situa a avaliação educacional escolar dentro dos modelos pedagógicos para a conservação e para a transformação social.
A avaliação da aprendizagem escolar dentro do modelo para a conservação pode ser identificada como modelo sócio-liberal-conservador, que busca através da educação, a manutenção do sistema econômico-social urgente, na sua integridade.
A estratificação dos empreendimentos transformadores que culminaram com a revolução Francesa foi o fato histórico que influenciou o nascimento deste modelo conservador.
A prática avaliativa dentro deste contexto escolar assume a característica de um instrumento disciplinador de condutas cognitivas e sociais, tendo obrigatoriamente, que ser autoritária, pois que esse caráter pertence à essência dessa perspectiva de sociedade, que exige controle e enquadramento dos indivíduos nos parâmetros previamente estabelecidos de equilíbrio social.
A avaliação educacional escolar dentro do modelo transformador é vista como instrumento que busca a autonomia do educando, uma participação democrática de todos envolvidos no processo educativo. Este modelo, que busca a autonomia do educando, uma participação temática de todos que participam do processo educativo. Este modelo, que foi nascido atrás de uma nova pedagogia denominada libertadora, fundada e representada pelo pensamento e prática pedagógica do professor Paulo Freire, tem como característica principal, a humanização do educando.
Analisando a atual prática da avaliação escolar, Luckesi afirma que esta estipulou como função do ato de avaliar, a classificação e não o diagnóstico, como deveria ser constitutivamente.
A avaliação escolar realizada como função classificatória é autoritária, conservadora constitui-se num instrumento estático e frenador do processo do crescimento, oprimindo o educando.
Após abordar a prática avaliativa, Luckesi propõe passos para superação da avaliação autoritária. Transformando-a em avaliação educacional no contexto de uma pedagogia preocupada com a transformação e valorização do educando como um ser ativo e dinâmico, que participa da construção de seu conhecimento e isto faz da avaliação algo mais abrangente na busca dos objetivos desejados.
Vários são os propósitos da avaliação: conhecer os alunos, identificar as dificuldades de aprendizagem, determinar se os objetivos para o processo ensino-aprendizagem foram ou não atingidos, aperfeiçoados o processo ensino-aprendizagem, promover o aluno.
“A avaliação da aprendizagem escolar auxilia o educando e o educador na sua viagem comum de crescimento, e a escola na sua responsabilidade social”. Educador e educando aliados constroem a aprendizagem, testemunhando-a a escola, e esta à sociedade.
“A avaliação da aprendizagem neste contexto é um ato amoroso, na medida em que inclui entre os bem-sucedidos, devido ao fato de que esse sucesso foi construído do processo ensino-aprendizagem.”
(LUCKESI, 1998: 175)
O aluno passa a avaliar o mundo e a aprendizagem a partir de suas motivações e idéias e não mais em função de critérios assimilados de fora. Assim a avaliação se torna mais realista, consciente e a criança possa, então, para o processo da auto-avaliação.
1.2 - Avaliações segundo Pedro Demo
Em Pedro Demo a avaliação é vista como uma Questão de Qualidade. O que está em jogo na avaliação qualitativa é principalmente a qualidade política, ou seja, a arte da comunidade de se autogerir, a capacidade de inventar o espaço próprio.
O ponto principal da avaliação qualitativa é o fenômeno participativo. E, para avaliar estes processos participativos é preciso participar; não é uma iniciativa externa.Para Demo, é possível e necessária a avaliação qualitativa, mas as grandes maiorias das avaliações realizadas não vão além da banalização. Abusos como chamar-se dialético aquele que não se sabe usar adequadamente dados quantitativos. Qualidade não pode ser apenas aquilo que não é quantidade.
A avaliação se constitui num processo e num projeto em que o avaliador e avaliando buscam e sofrem mudanças qualitativas.“Qualidade é de estilo cultural, mais que tecnológico; artístico, mais que produtivo; lúdico, mais que eficiente; sábio mais que científico. Dizer respeito ao mundo tão tênue quanto vital da felicidade. Não se é feliz sem a espera do ter, mas é principalmente uma questão de ser. Não é conquista de uma mina de ouro que nos faria ricos, mas, sobretudo a conquista de nossas potencialidades próprias, de nossa capacidade de autodeterminação do espaço de criação".(DEMO, 1995 18)
Avaliar quantitativamente é despertar no educando o interesse para suas conquistas de potencialidades próprias e capacidade de autodeterminação.
1.3 - Avaliação segundo Jussara Hoffmann
Segundo Hoffmann, a avaliação do aluno constitue um Mito e um Desafio nos meios educacionais. O mito é decorrente de sua história que vem perpetuando os fantasmas do controle e do autoritarismo há muitas gerações. A desmistificação, por outro lado, ultrapassa a revolução dessa história e a análise dos pressupostos teóricos que fundamentam a avaliação até então, parecendo necessário desestabilizar práticas rotineiras e automatizadas a partir de uma tomada de consciência coletiva sobre o significado dessa prática. E esse é o desafio que se tem a enfrentar. O maior entre os desafios é ampliar o universo dos educadores preocupados com o fenômeno avaliação e entender-se a discussão do interior das escolas a toda sociedade, pois, considerando-se que o mito é decorrente de sua história para as futuras gerações, descaracterizadas da feição autoritária que ainda a reveste, em busca de uma ação libertadora.Para que se reconstrua o significado da ação avaliativa de acompanhamento permanente do desenvolvimento do educando é necessário revitalizá-la no dinamismo que encerra de ação, reflexa, ação, ou seja, concebê-la como inerente e indissociável de educação, observadora e investigativa no sentido de fornecer e ampliar as possibilidades próprias do educando.(HOFFMANN, 1991: 35)É necessário que o professor fique atento e curioso sobre as manifestações dos alunos para problematizar e, principalmente, ampliar perspectivas, oportunizando a recuperação do saber.Faz-se necessário que a avaliação como mito seja desmistificada, tanto do educador como do educando, para transformar-se em desafio para todos os envolvidos.
O sentido fundamental da ação avaliativa é o movimento a transformação, de forma que ultrapasse os muros das escolas e se transforme numa força que influencie a revisão do significado social e político das exigências burocráticas da avaliação.As referidas avaliações com suas especificidades e diferenças nos sugerem análise e reflexão da prática educativa à luz das fundamentações teóricas.Para Luckesi a prática avaliativa é instrumento de conservação e manutenção do sistema econômico social. Seus parâmetros avaliativos consideram como ativos e dinâmicos aqueles alunos que enquadrarem no modelo de educação autoritária. Já as contribuições de Pedro Demo buscam avaliação qualitativa a capacidade política na qual avaliador e avaliando buscam e sofrem mudanças qualitativas.Jussara Hoffmann procura desmistifica a avaliação e quebrar sua visão autoritária em busca de uma ação libertadora. Para ela o novo significado busca sua dinamização na ação/reflexão/ação, fatores preponderantes para ampliar as possibilidades próprias do educando.Basta nos situarmos para decidirmos qual das modalidades se encaixam com mais fidelidade ao nosso modo de pensar e ver o sistema de aprendizagem.
A educação não é um processo em si, mas deve apresentar resultados que permitam o aperfeiçoamento e crescimento do eu, do indivíduo e do processo ensino-aprendizagem.
O conhecimento se dá através da interação do sujeito com o ambiente que vai aprimorando gradativamente suas estruturas.É a existência deste processo progressivo das ações cognitivas que caracteriza diferentes momentos de estabilidade num contínuo de equilibração. A continuidade do percurso para estágios superiores é garantida pela sucessão de reequilibração. Quando comparada com a anterior, cada forma nova de estrutura cognitiva representa um acréscimo qualitativo e quantitativo no desenvolvimento.
(AZENHA, 1994: 33)A criança traz consigo uma maneira particular de interpretar a realidade. Essa particularidade de ver o mundo deve ser levada em consideração ao se avaliar o desempenho e aprendizagem, evitando-se assim julgamentos precipitados.Justamente por causa dessas estruturas, ocorrem muitas reprovações nas primeiras séries de escolaridade, pois o que o professor leva em conta é a idade cronológica da criança e não a mental. A preocupação em cumprir o currículo é tanta, que não avalia as condições necessárias para que ocorra aprendizagem. Então se julga está certo, está errado. Portanto, as contribuições Piagentianas nos possibilitam olhar para o desempenho da criança de forma muito diferente daquela que a longa tradição escolar nos ensinou.Desta maneira podemos promover a aprendizagem, a observação e interpretação da conduta das crianças, conhecendo como ela aprende e integra o conhecimento espontâneo, (conhecidos fora da escola), e com os conhecimentos adquiridos sistemáticos de ensino. Dessa forma podemos perceber como a criança vai superando suas estruturas cognitivas, avaliando cada vez mais na direção de um conhecimento mais elaborado.Portanto, compreender como se dá o conhecimento no indivíduo vem de encontro à necessidade de avaliar e acompanhar individualmente o seu desenvolvimento cognitivo, pois avaliação é um momento de observação de sínteses individuais de um processo vivido coletivamente.A avaliação não pode ser um fim em si próprio, mas um momento do indivíduo refletir e organizar seu conhecimento. A partir daí conseguirá refletir sobre novas situações, tornando o processo ensino-aprendizagem um ato contínuo, interligado e produtivo. Permite ao educador verificar até que ponto sua prática pedagógica foi proveitosa e competente podendo até replanejar outra forma de atingir seus objetivos, a fim de melhorar o ensino-aprendizagem. Portanto, avaliar é um processo que se realiza em todos os momentos da ação educativa.É necessário que o professor conheça o contexto social em que o aluno está inserido para propiciar um ambiente que permita ao aluno expressar suas dificuldades sem medo.Muitas vezes o professor tem uma prática pedagógica deslumbrante, mas no momento de avaliar, há descontinuidade deste processo, por julgar que o aluno deve simplesmente cumprir tarefas. Então a efetiva construção do conhecimento não ocorre por não considerá-la uma trajetória. Um professor que não avalia constantemente a ação educativa, no sentido indagativo do termo, instalar sua docência em verdades absolutas pré-moldadas e terminais. . (HOFFMANN, 1992: 17)
É preciso refletir sobre a realidade da prática educativa e avaliativa, questionando e problematizando-a no intuito de reconstruir a função da avaliação.A norma qualitativa é fundamental para que se realize uma avaliação significativa. Ela não pode ser encarada como um monstro, mas como instrumento significativo de reflexão e organização do conhecimento.A avaliação terá de ser extraída da própria teoria e implicará verificar se o aluno já adquiriu noções, conservações, realizam operações. O rendimento poderá ser avaliado de acordo com a sua aproximação a uma norma qualitativa pretendida.(PIAGET, 1975: 12)
É preciso, pois, criar critérios para que a avaliação abranja os aspectos, não só cognitivos, mas motores e afetivos; não somente aspectos quantitativos como também qualitativos.Portanto questionar é premissa básica de uma avaliação participativa e flexível. Deve-se ter confiança na capacidade das crianças construírem suas próprias verdades, valorizando suas manifestações e interesses.
Acreditamos que de início se faz necessário e urgente repensar o significado da ação avaliativa na escola, promovendo reflexões junto com professores e alunos a respeito da importância e da responsabilidade de se avaliar. Frisar as conseqüências da avaliação rotineira, automatizada e mal sucedida; onde as crianças saem da escola, levando consigo a marca e humilhação do fracasso escolar. Saem convencidas de que são menos inteligentes menos dotadas e menos capazes do que os outros. Isso ocorre principalmente nas séries iniciais, em que o professor não respeita o desenvolvimento cognitivo da criança. Ele avalia levando em conta a idade cronológica e não a mental.Devem se também, incentivar com freqüência debates, leituras de bons textos e cursos para professores, em nível de estado, município e escola, a fim de que se possam firmar conceitos, revendo e analisando a realidade local.Dentro das reflexões, faz-se necessário também levantar questões como, por exemplo, O que avaliar? Porque avaliar? Como estou avaliando? Contribuindo assim, para desacomodar as velhas práticas e provocar a descoberta de novos caminhos desafiadores da avaliação conservadora. Melhor dizendo, propagar estes problemas, apresentando propostas de superação com questões como: Como você, professor, está permitindo a criança criar o seu próprio conhecimento? Como você está direcionando suas aulas? A sua maneira se enquadra no que até então discutimos? Você se preocupa em formar na criança um ser crítico e capaz de construir seus próprios conceitos? Como sabemos a avaliação voltada para a qualidade, onde a criança é um ser sociável, como idéias e decisões próprias. É preciso balançar as estruturas de cada professor; possibilitando-lhe uma auto-avaliação.É necessário também, que cada um de nós, com um pouco mais de experiência, responsabilizemo-nos em contribuir para ampliar as perspectivas das pessoas que preocupam com a avaliação dando atenção especial para os professores que ainda fazem descaso dessa nova mudança. Cada professor deve se contiver aos novos rumos da prática educacional avaliativa, num sentido de conscientização.Tudo o que foi relatado acima é muito importante para que possa haver um caminho rumo à nova postura de educadores aptos a transformar mesmo que a longo prazo (as verdadeiras transformações só acontecem a longo prazo), essa avaliação. E para que isto venha acontecer é preciso que cada um de nós, que trabalha na área de educação, deixe o medo, a acomodação e principalmente a submissão de idéias e nos posicionemos lado a lado com o educando, orientando-o e reconhecendo em cada um deles um ser político e social, sujeito do seu próprio desenvolvimento.Se assim agirmos, estaremos contribuindo para uma mudança transformadora no processo de como avaliarmos.Privilegiamos a pesquisa, tanto na teórica, quanto na prática, que desenvolvi o materialismo histórico de Karl Marx.O materialismo histórico é a ciência filosófica do marxismo que estuda as leis sociológicas que caracterizam a vida da sociedade, de sua evolução histórica e da prática social dos homens no desenvolvimento da humanidade.“Para Marx, a análise da vida social deve ser feita através de uma perspectiva que, além de procurar estabelecer as leis de mudanças que regem os fenômenos, parta do estudo dos fatos concretos, a fim de expor o movimento real em seu conjunto.” (OLIVEIRA. 1995. p. 67), ou seja, o ponto fundamental é o estudo do homem e suas relações, suas condições materiais de sobrevivência, seus problemas, dificuldades, enfim, o modo como produzem seus meios de vida. “A forma como indivíduos manifestam reflete muito aquilo que são. Aquilo que os indivíduos são depende, portanto das condições materiais de sua produção” (MARX E ENGELS, 1980, p. 19).
A idéia inicial para o marxismo é a compreensão da realidade do ponto de vista dialético. Através do enfoque dialético da realidade, o materialismo histórico, mostra como se transforma a matéria (a realidade objetiva atual) e como se realiza a passagem das formas inferiores às superiores. Por isso, compreender a realidade de maneira dialética, é pensar dialeticamente, é acabar com a reprodução das estruturas dominantes, com a ideologia passada pelas classes dominantes, enfim, é fazer o homem entender, conscientizá-lo de que é ser um histórico, e como tal, pode construir sua própria história, que ele pode e deve contribuir para mudar, para transformar a realidade cruel que aí está: realidade esta que privilegia os interesses de alguns (dominantes) e massacra os da massa (dominados), que não tem sequer o direito de manterem-se vivos, pois, a grande maioria não tem condições nenhuma de sobrevivência (comer, beber, vestir, ter moradia). Pensando assim, conduzimos a pesquisa na área da Educação, dando ênfase à prática avaliativa nas escolas públicas da rede Municipal de Ensino de Guanambi, priorizando nas séries iniciais. Dentro da educação será que as avaliações elaboradas pelos professores nas séries iniciais da Educação Básica estão contribuindo para a formação de cidadãos capazes de agir para transformar a realidade atual, ou para reproduzir o que a sociedade dominante. Partindo dessa pergunta, procuremos realizar o trabalho analisando as seguintes hipóteses:1à Acreditamos que a maioria dos professores não está sendo preparada para avaliar, segundo a acepção adotada;2à As avaliações elaboradas pelos professores não passam de uma exigência burocrática, não estabelecendo, portanto, nenhum vínculo entre conhecimento, realidade, indivíduo/ sociedade.Para mim, o sentido fundamental da ação avaliativa é o movimento, a transformação.A avaliação é uma prática coletiva que exige a consciência crítica e responsável de todos, na problematizarão das situações, de forma que ultrapasse os muros das escolas e transforme-se numa força que influencie a revisão de seu significado. Por isso me inseri nas escolas públicas de Guanambi, procurando mostrar o retrato vivo da realidade, onde, procurei comprovar ou não, as minhas hipóteses, respondendo assim à pergunta citada anteriormente.No primeiro momento realizei o levantamento teórico, delimitação do problema, das hipóteses, dos objetivos, da escolha dos instrumentos para a coleta de dados. Depois passei para a pesquisa de campo, onde defini as escolas com as quais iria trabalhar, fazendo um breve histórico delas.As escolas onde desenvolvi minha pesquisa, uma é estadual e a outra é municipal. Ambas são de porte médio, funcionam nos três turnos, com cerca de 1.300 alunos matriculados em cada uma delas, distribuídos em 43 turmas nos três turnos com uma faixa etária de 4 a 18 anos. Conversei com seus diretores e seus professores (3ª e 4ª ), pedi permissão para a realização de minha pesquisa. Em seguida escolhi aleatoriamente, diretores, professores (3ª e 4ª) e alunos (3ª e 4ª), para aplicar-lhes os questionários, com o auxílio de um gravador, para obter uma informação mais profunda e precisa, utilizamos outras técnicas como: entrevista observação, anotações de campo, negociações com os participantes da pesquisa, documentos, possibilitando, assim, a obtenção de uma variedade de informações, a fim de comprovar se estamos avaliando de fato nossos alunos.Nos dois estabelecimentos de ensino onde realizei a pesquisa, funcionam com nove turmas de 3ªs com trinta alunos cada e cinco turmas de 4as com 24 alunos cada, perfazendo um total de 390 alunos matriculados nessas séries. Apliquei os questionários a 39 alunos, sendo 20 da 3ª e 19 da 4ª, correspondendo assim, a 10% do total de alunos dessas séries. Antes de começar as entrevistas conversei com cada aluno participante da pesquisa, escolhido aleatoriamente, me apresentei e disse o porquê da minha presença e todos demonstraram interesse e disposição para responder as perguntas. Comecei as entrevistas perguntando o nome, a idade, o bairro onde mora, com quem mora, profissão dos pais, se gosta de estudar e como é o relacionamento dele com seu professor e diretores da escola. Podemos comprovar que na entrevista Nº1, dos 39 alunos entrevistados 61,5% têm entre 04 e 15 anos e 89,7% provém de bairros de classe baixa. A na entrevista Nº02 nos mostra que todos eles (100%) moram com os pais que trabalham de serralheiros (43,6%), pedreiros (41%), lavadeiras (7,7%) e costureiras (7,7%). Na entrevista Nº03 podemos perceber que todos (100%) os alunos que gostam de estudar e têm um bom relacionamento com seus professores e diretores.Quanto aos 14 professores distribuídos entre as turmas de 3as e 4as, entrevistei 7 que corresponde 50% do todo. As entrevistas mostram que os sete professores entrevistados possuem o 2º grau (magistério) completo, 71,4% lecionam a mais de 10 anos ; todos gostam do que fazem, 71,4% disseram que foi uma escolha pessoal ; a repetência que todas enfrentam nas salas de aula hoje, que avaliar para eles (100%) é um processo amplo e global;participam de cursos de reciclagem onde 85,7% têm um aproveitamento bom. Dos 6 diretores das duas escolas onde realizei a pesquisa, entrevistei 3, todos os três têm o nível superior , tem mais de 1ano que estão exercendo a função;consideram o trabalho que vem realizando bom, todos estão no cargo através de eleições; os problemas que enfrentam são evasão, repetência, falta de recursos financeiros e de material didático; tem um bom relacionamento com os discentes e docentes ; às vezes participam do planejamento com os professores ; participam do planejamento com os professores, participam dos cursos de reciclagem tendo um aproveitamento de 20 a 50%. Com referência à pergunta de partida e às hipóteses levantadas anteriormente, pude constatar uma enorme contradição entre as respostas dadas pelos alunos e as dadas pelos professores e diretores quanto à avaliação. Os resultados das entrevistas referentes à avaliação feita aos 39 alunos participantes da pesquisa podem comprovar nas entrevistas que a maioria dos alunos afirma que seus professores só utilizam a explicar os conteúdos e que o meio utilizado para avaliá-los são testes, provas e nota no caderno com um único fim, colocar a nota na caderneta; que sentem-se nervosos, tensos, toda vez que vão responder uma prova e a atitude de seus professores quando eles não acertam, é que precisam estudar mais. Nas entrevistas os sete professores entrevistados afirmam que Avaliar é um processo amplo e global, que avaliam seus alunos diariamente, que a função da avaliação é reavaliar todo processo, por isso frente a um resultado negativo procuram fazer uma auto-avaliação para saberem onde erraram, acreditam que existe uma grande diferença entre medir e avaliar, sendo assim, não se preocupam em cumprir programa, mas, procurar sim, planejar juntas para enriquecerem mais suas aulas, trocarem opiniões.Os três diretores entrevistados disseram que desconhecem a forma como seus professores avaliam os alunos que fazem uma auto - avaliação envolvendo todos (professor x diretor x pais x alunos) a fim de discutir e procurar soluções para os problemas da escola, afirmam que avaliar é um processo amplo e global, que se fossem professoras faria a avaliação objetiva e subjetiva, acham o índice de evasão e repetência, que chega a 50%, não tem nada a ver com a maneira como é feita a avaliação e apostam na educação. Diante deste quadro alarmante de disparidade visto nas entrevistas, entre alunos x professores e diretores, posicionamos a favor dos alunos, visto que, é maioria, são os participantes diretos desse processo de ensino - aprendizagem, portanto os mais interessados, os mais atingidos, as vítimas. Sendo assim, confirmo a hipótese acreditando nas respostas dadas por eles, onde os professores trabalham a avaliação com algo estagnado, desvinculado da realidade do aluno, enfadonho, uma vez que, 87,2% só usam o livro didático e o quadro de giz para explicar os conteúdos em que, a mesma é realizada só com o objetivo de atribuir conceitos numéricos, quantitativos , como afirma Zélia Domingues Mediano: “Medir é um ato de colher informações e ordená-las, levando em conta seu aspecto quantitativo numérico... Avaliar é um processo mais amplo que medida... a avaliação pode utilizar tanto descrições quantitativas, como qualitativas, ou ambas.” (p.1).Como pode - se perceber a maioria de nossos professores e diretores na teoria percebe a avaliação de uma forma e nas suas práticas agem como se desconhecessem a outra face da moeda; e isso mostra o verdadeiro descaso, o descompromisso total com a educação, onde podemos afirmar que não estão preparados realmente para avaliar, confirmando assim a hipótese, levantada anteriormente.A questão da avaliação é tão complexa como de extrema importância no setor educacional. Verifica-se que a avaliação educacional em geral e a avaliação da aprendizagem escolar, devem sofrer mudanças qualitativamente, partindo assim, para uma avaliação que visa o crescimento contínuo dos estudantes, através da conquista da autopromoção.Como diz Terezinha Diniz: “Avaliação é um meio para alcançar fins e não um fim em si mesmo.” (DINIZ, 1982, p. 4).Agindo como vem agindo em suas práticas avaliativas nossos professores estão colocando diretamente com os altos índices de repetência e evasão nas escolas públicas e mais ainda, deixando em muito os alunos vítimas desses instrumentos avaliativos, a marca registrada de “ignorantes”, “incapazes” por toda a vida, pois, muitos desistem para sempre da escola. Confirmando a pergunta de partida levantada por mim, no decorrer desta pesquisa, os testes e provas elaboradas dificilmente levam um aluno a raciocinar, pois as questões são objetivas e, necessita apenas da memorização dos conteúdos, dando margem para a construção de tudo o que foi visto nas aulas. É descartada a possibilidade de extrapolar idéias e reconstruir seus próprios conceitos, o que nos mostra que as avaliações elaboradas pelos professores não estão formando cidadãos capazes de transformar nossa realidade, mas sim, reproduzir o que a sociedade dominante deseja. A prática avaliativa é identificada dentro do modelo pedagógico conservador e não transformador. Estando a avaliação a serviço da conservação, assume a característica de um instrumento disciplinador de condutas cognitivas e sociais, tendo obrigatoriamente que ser autoritária, pois esse caráter pertence à essência de uma sociedade, que exige controle e enquadramento dos indivíduos, enquanto que, a serviço da transformação, é vista como instrumento que busca a autonomia do educando, uma participação democrática de todos que compõe o processo educativo, como afirma Cipriano Carlos Luckesi:“(...) a avaliação da aprendizagem escolar será autoritária estando a serviço de uma pedagogia conservadora e, querendo estar atenta à transformação, terá de ser democrática e a serviço de uma pedagogia que esteja preocupada com a transformação a sociedade a favor do ser humano, de todos os seres humanos igualmente.”(LUCKESI, 1996, p. 32).O modelo autoritário embasa-se, em três pedagogias diferentes, mas, com um único objetivo que é a conservação da sociedade. A pedagogia tradicional e tecnista abordam o autoritarismo, na forma como é centrado o ensino na sala de aula, na pessoa do professor e na transmissão e apreensão de conteúdos técnicos e princípios de rendimento; e a Pedagogia Renovada ou Escolanovista, voltada para o aluno, suas diferenças individuais e sua espontaneidade de produção de conhecimento. Já o modelo para a transformação, fundamenta - se no modelo dialético, onde é indispensável entender a relação entre a teoria e a prática, como processo através do qual se constrói o conhecimento, isto é, a atividade prática do aluno é o ponto de partida para a construção do saber. Este modelo, conta hoje, com o surgimento de várias pedagogias: a libertadora, inspirada no professor Paulo Freire e Sócio Cultural de Demerval Saviani, todas voltadas para a perspectiva e possibilidades de transformação social. Em Pedro Demo, a Avaliação é vista como uma “Questão de Qualidade”. O que está em jogo na avaliação qualitativa é principalmente a qualidade política, ou seja, a arte da comunidade se autogerir, a capacidade de inventar o espaço próprio.O cerne da questão qualitativa é o fenômeno participativo. E para avaliar processos participativos é preciso participar; não é uma iniciativa externa; passa-se necessariamente pela prática, pois sua lógica é sabedoria que se permite apenas analisar, observar.Para Jussara Hoffmann, a avaliação do desempenho do aluno constitui um “mito” e um “desafio” nos meios educacionais. O mito é decorrente de sua estória que vem perpetuando os fantasmas do controle e do autoritarismo. E o desafio é ampliar-se o universo dos educadores preocupados com o “fenômeno avaliação” e estender-se à discussão no interior das escolas à toda sociedade, em busca de uma ação libertadora.Particularmente me posiciono a favor do modelo pedagógico para transformação, pois, a meu ver, é o melhor, uma vez que, busca a participação conjunta dos membros envolvidos no processo educativo (direção, professor, alunos e pais). Sendo que a responsabilidade maior é do professor. Que ao avaliar é necessário levar em consideração as áreas cognitivas, afetiva e psicomotora, possibilitando construir o seu conhecimento de uma forma integral, como afirma Melchior:“O professor, no cotidiano da sala de aula, precisa estar atento às atitudes dos alunos, para que possa intervir em suas práticas, buscando possibilidade de construção do conhecimento para que eles se desenvolvam de forma integral.”
(Melchior 1998 p14).Durante a realização da pesquisa, pude perceber que a presença dos pais é mínima, pois, os mesmos só comparecem à escola quando têm reunião de pais e mestres, ao invés de discutirem sobre a qualidade de ensino que eles estão recebendo, contribuindo assim para a realidade que aí está. Acredito que, só agindo junto conseguiremos reverter esta situação, só assim é que estaremos promovendo o crescimento do ser humano como um todo, não apenas, como parte, como fragmento.“A esperança em verdade é mais do que a memória... em verdade a vida é mais que a esperança”. (Chandogya-Upanishad)
CONCLUSÃO:
Ao chegar ao final deste trabalho, percebi que muitos professores ainda não deram conta da responsabilidade de avaliar. Não sabem por que avalia, e, porque tem que medir. São acomodados nas suas práticas rotineiras, não se preocupando em elaborar uma avaliação para reflexão, e transformação, ou seja, não dão uma atenção especial ao elaborar as questões, para que no momento da resolução, o educando possa repensar o que foi estudado, reconstruindo sua própria resposta.
Acredito na postura nossa, de educadores comprometidos com a educação, que devemos estar sempre nos policiando, questionando, refletindo, enfim, nos avaliando. E ao final de cada dia de trabalho, de luta árdua, temos a certeza de que não estamos medindo nossos alunos, de que não estamos atribuindo valores quantitativos a eles, uma vez que sabemos que não se pode medir a capacidade de alguém; mas que podemos sim, ensiná-los a conhecer a realidade que os cerca e a defender-se dela, a fornecer subsídios para utilizá-los na vida prática; colaborar para que cada dia de suas vidas seja melhor; só agindo assim, é que estaremos verdadeiramente avaliando.Só apostando no modelo dialético da avaliação, de mudanças, de transformação, de conflito, de conscientização, é que deixaremos de ser meros objetos, para sermos gente, de dominados para dominantes, de proletariado para cidadãos capazes de lutar, de fazer acontecer, de ver seus direitos e deveres serem respeitados, contribuindo assim, para uma sociedade mais justa, mais igualitária.
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